Tenho uns vinte e tantos amigos intermediários, dois melhores e um que jamais deterá qualquer descrição. Vinte e tantos lençóis e edredons: lisos, estampados, macios e perfumados. Verdes, lilases, com borboletas, algumas flores, cada qual com seu significado e valor. Eles me abraçam nas madrugadas frias, são os melhores remédios quando estou com febre, enxugam minhas lágrimas e escutam meus soluços, tudo isso com uma vantagem: as mágoas que neles ficam, de lá não saem, exceto na lavanderia, mas essa não tem o poder de falar. Os outros dois são meus travesseiros: um que carregarei até que o mesmo se desgaste, meu saudoso cão de pelúcia, e um segundo, normal e que troca as caras de duas a três vezes na semana. Esses me sustentam, um deles é aquele que abraço apertado diariamente, e ele retribui juntamente com o lençol, me protegendo dos bichos papões, lobisomens e coisas ruins que rondam nesse mundo durante a madrugada. A noite é uma criança, não? E como tal carrega sonhos e pesadelos, com monstros e outras quaisquer coisas que possam existir. O terceiro me acompanha dia, noite e madrugada; no frio, no calor, na neve que existe apenas em sonhos e na chuva; faz as provas ao meu lado, e ao lado dele ficam seus outros filhos (eu costumo chamá-los de anjos, e o que sempre está colado comigo é o Miguel, um amor); me observa dormir; faz tudo que peço; jamais deixa que o mal me toque, e quando esse aparece em um dos seus breves cochilos o mesmo trata de expulsá-lo com sua força que me surpreende; coloca a mão no meu ombro nos momentos de tensão e diz: "calma filha, vai ficar tudo bem, eu estou aqui"; me perdoa quando erro em relação a ele e faz de tudo para que eu não cometa os mesmos atos novamente; me carrega nos braços quando minhas pernas temem em faltar a força. É Pai, Irmão, Amigo e Companheiro, não só meu, mais de vários outros, sem ele, eu jamais teria a força que tenho hoje. É Deus, e sem Ele, os lençóis e o travesseiro, nas noites de medo, nada seriam.
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