Essa seria uma boa frase para começar um texto saudosita de um dia de
aniversário onde as coisas todas magicamente mudam de lugar, onde os problemas
se resolvem e as dúvidas não existem mais. Infelizmente não é assim. As coisas
não passam pela nossa frente, pela nossa vida, macias e imperceptíveis. Muitas
vezes e normalmete, ir além delas machuca e na hora a gente não entende
exatamente o porquê. Hoje eu faço vinte e um anos. Vinte e um. Quanta coisa
aconteceu nessas duas décadas e um, quantas vezes eu gritei de tristeza, sorri
de alegria, me confundi no gozo e no pranto e virei essa mulher inteira dos
meus pedaços, cheia dos meus vazios. Virei essa mulher que ri e chora muito de
tudo, porque vive até a ultima pulsação das coisas, porque sempre bebe até o
último gole. Tantas foram as vezes que eu superestimei tanto tudo, que eu achei
que não dava mais, que ja tinha vivido tudo que era pra mim. Quanta bobagem.
Bobagem, porque de todas as minhas tragédias de um dia, o máximo que me ficou
foi a lição de que ser hiperbólica como só eu sei, pode, no máximo, me render
um estilo, jamais um final. Nada acaba só poque pra mim sempre é um caso de
vida ou morte. Os vinte, passaram voando por mim. Sabe aquelas brisinhas boas que
despenteiam, mas não a ponto de descabelar? Passaram gostosos, cheios de
informação pra eu absorver de uma só vez. E acabaram rapidinho porque tudo o
que é bom dura pouco. Tanta coisa, tanta gente, tanto medo acumulado esperando
a maturidade finalmente chegar e , quando ela finalmente chega eu ainda me
sinto imatura e quero o colo da minha mãe, o abraço da minha amiga, o beijo na
testa do meu primo, o abraço do meu pai. E enquanto eu espero por tudo isso,
por um mundo cheio de certezas onde acordar vai render uma gargalhada e nada
mais vai valer uma tristeza, a vida vai passando. Sem perceber, eu vou passando
junto com ela, porque, felizmente, apesar de eu esperar a felicidade, eu nunca
deixo de ser feliz. É nem vou. Eu continuo sendo essa menina boba, que descobre
todo dia que não sabe da missa a metade, mas se joga e se fode e, no final, se
diverte. Hoje começa a minha nova primavera. E eu olho pros lados procurando
motivos pra uma felicidade de festa, de hoje, momentânea, mas percebo que as
minha maiores razões de sorrisos estão bem aqui comigo: do meu lado e dentro de
mim.

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