sábado, 17 de março de 2012

Os anos passaram pela minha janela.

Essa seria uma boa frase para começar um texto saudosita de um dia de aniversário onde as coisas todas magicamente mudam de lugar, onde os problemas se resolvem e as dúvidas não existem mais. Infelizmente não é assim. As coisas não passam pela nossa frente, pela nossa vida, macias e imperceptíveis. Muitas vezes e normalmete, ir além delas machuca e na hora a gente não entende exatamente o porquê. Hoje eu faço vinte e um anos. Vinte e um. Quanta coisa aconteceu nessas duas décadas e um, quantas vezes eu gritei de tristeza, sorri de alegria, me confundi no gozo e no pranto e virei essa mulher inteira dos meus pedaços, cheia dos meus vazios. Virei essa mulher que ri e chora muito de tudo, porque vive até a ultima pulsação das coisas, porque sempre bebe até o último gole. Tantas foram as vezes que eu superestimei tanto tudo, que eu achei que não dava mais, que ja tinha vivido tudo que era pra mim. Quanta bobagem. Bobagem, porque de todas as minhas tragédias de um dia, o máximo que me ficou foi a lição de que ser hiperbólica como só eu sei, pode, no máximo, me render um estilo, jamais um final. Nada acaba só poque pra mim sempre é um caso de vida ou morte. Os vinte, passaram voando por mim. Sabe aquelas brisinhas boas que despenteiam, mas não a ponto de descabelar? Passaram gostosos, cheios de informação pra eu absorver de uma só vez. E acabaram rapidinho porque tudo o que é bom dura pouco. Tanta coisa, tanta gente, tanto medo acumulado esperando a maturidade finalmente chegar e , quando ela finalmente chega eu ainda me sinto imatura e quero o colo da minha mãe, o abraço da minha amiga, o beijo na testa do meu primo, o abraço do meu pai. E enquanto eu espero por tudo isso, por um mundo cheio de certezas onde acordar vai render uma gargalhada e nada mais vai valer uma tristeza, a vida vai passando. Sem perceber, eu vou passando junto com ela, porque, felizmente, apesar de eu esperar a felicidade, eu nunca deixo de ser feliz. É nem vou. Eu continuo sendo essa menina boba, que descobre todo dia que não sabe da missa a metade, mas se joga e se fode e, no final, se diverte. Hoje começa a minha nova primavera. E eu olho pros lados procurando motivos pra uma felicidade de festa, de hoje, momentânea, mas percebo que as minha maiores razões de sorrisos estão bem aqui comigo: do meu lado e dentro de mim.

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