segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Quando um Pinguim encontra seu par

         
Somos pequeninos, fofinhos e branquinhos. Nós adoramos o frio e andamos engraçado. Afinal, as pernas são demasiado curtas para acompanhar o ritmo acelerado de nossas vidas. É difícil, mas gostamos. O encanto está em fazer de cada passo um desafio. Literalmente.
Confessamos que seria muito mais fácil se pudéssemos simplesmente usar as asas que nos foram dadas. Mas voar não é para nós. E, mesmo se fosse, não sei se gostaríamos de tirar os pés do chão. A altura é espetacular, mas risco da queda é abominável. Melhor mesmo é mergulhar de cabeça até o fundo do mar! Amamos o mar!
Não somos exatamente afinados, mas sabemos cantar para quem quiser ouvir. É a necessidade de expressão. A falta dela pode levar à extinção da espécie.
Também ouvimos com paciência a ladainha alheia. Raramente nos interessamos. É difícil satisfazer ouvidos acostumados com o punk rock dos Ramones. Mas, se o canto nos agrada, começamos imediatamente a amar o seu dono. Um amor verdadeiro, eterno, imensurável. Porque, quando um pinguim encontra seu par, eles ficam juntos para o resto da vida. E essa é a nossa única chance de felicidade a dois.
A boa notícia, para os pinguins, é que há sempre uma metade. Não de laranjas, mas de melancias. São facilmente encontradas e se completam até nas sementes. A beleza inquestionável do amor eterno. A tampa da panela. Para os pinguins, não se trata de acaso, é só a freqüência sonora.
A má notícia, para mim, é que, nesse quesito, não sou um pinguim. Sou uma framboesa. Porque é muito, muito difícil encontrar a metade de uma framboesa. Especialmente nessa época do ano. Às vezes acho que framboesas já nasceram completas. Bolas oito não tem par. E, para os seres humanos, é tudo uma questão de destino. É fácil controlar as freqüências sonoras. Mas ainda não inventaram um jeito de dominar o destino.
Pra ser sincera, talvez eu prefira assim. Nunca fui boa nesse negócio de v igual a lâmbida vezes f. É melhor caminhar aos tropeços. Eu sei que, um dia, a coincidência vai chegar... Cantando Ramones para mim.

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